Lá Lá Longe *

Fomos assistir – eu e minha mulher – ao campeão do Oscar recentemente. Tanto além de La La Land onde o Fred Astaire contemporâneo Ryan Gosling corteja Emma Stone, em dia seguinte A Muralha. Produções esmeradas tanto em fotografia humana quanto paisagem, diálogos envolventes em ambos, destacada miséria humana com efeito de sua antiguidade na igual China em 3D.

Confirmando-se que a vida imita a arte muito mais do que a arte imita a vida, do dramaturgo Oscar Wilde (1854-1900), tomado estou pelo medo do que estamos fazendo conosco sociedade humana. Certo que os monstros mitológicos em castigo da Muralha estão realmente dentro de nós, e parece-me vencendo… Convido leitores ao esforço analítico para verem o que vi: belos casais protagonistas terminam separados, nitidamente por seus planos pessoais serem maiores do que o Amor ofertado pelo destino cinematográfico. Lembrando obra póstuma do poeta Carlos Drummond de Andrade (1902-1987) O avesso das coisas, que diz também: não é fácil ter paciência diante dos que tem excesso de paciência.

Bom, sou do tempo em que a mulher era o grande prêmio do homem, não necessariamente nessa mesma ordem. Então não consigo entender o périplo de ações em almejar o sucesso dispensando-se o prêmio happy end. Caminhamos para solidão? De que adiantam holofotes, ouro e pólvora? Tornamo-nos escravos do epicureu e da ausência quando passamos a nos alimentar da solidão egocêntrica.

Humanos estarão alienados ou enfastiados pela conectividade virtual atual? A quem interessa o empoderamento metrossexual da geração Y? Talvez os sexos estejam perdidos em tentarem trocar seus papéis, talvez quantidade avassaladora de informação esteja sequestrando a naturalidade, talvez estejamos à mercê duma ditadura robótica. Ainda me lembro da emoção que passou a cena da replicante Sean Young derramando uma lágrima por Harrison Ford em Blade Runner (1983). Ali estava fronteira máquina versus humano, o sentir. Imaginem caso Adão e Eva não acasalassem? Certamente não estaríamos aqui. Longe ou perto o que decidirmos hoje, decidirá nosso amanhã…

José Carlos Paiva Bruno
OABRJ 73304
* Publicado em http://www.horizontems.com.br/colunas-ler/brincadeiras-com-as-palavras-/1181
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